25.11.14

Cioran: de "L'escroc du gouffre"




Uma poesia digna desse nome começa pela experiência da fatalidade. Livres não são senão os maus poetas.

CIORAN. Syllogismes de l'amertume. Paris: Gallimard, 1980.

23.11.14

Bertrand Russell: Sobre a fé





Os cristãos creem que sua fé faz bem, mas outras fés fazem mal. De todo modo, pensam isso sobre a fé comunista. O que eu afirmo é que todas as fés fazem mal. Podemos definir a 'fé' como uma firme crença em algo para o qual não há prova. Quando não há prova, fala-se de 'fé'. Não falamos de ter fé de que dois mais dois sejam quatro ou de que a terra seja redonda. Falamos de fé somente quando queremos substituir a evidência pela emoção.



RUSSELL, Bertrand. "Will religious faith cure our troubles?". In:_____. Human society in ethics and politics. London: Routledge, 1992.



22.11.14

Jorge Luis Borges: "Ewigkeit" / "Ewigkeit": trad. Augusto de Campos




Ewigkeit

Torne en mi boca el verso castellano
A decir lo que siempre está diciendo
Desde el latín de Séneca: el horrendo
Dictamen de que todo es del gusano.

Torne a cantar la pálida ceniza,
Los fastos de la muerte y la victoria
De esa reina retórica que pisa
Los estandartes de la vanagloria.

No así. Lo que mi barro ha bendecido
No lo voy a negar como un cobarde.
Sé que una cosa no hay. Es el olvido;

Sé que en la eternidad perdura y arde
Lo mucho y lo precioso que he perdido:
Esa fragua, esa luna y esa tarde.


Ewigkeit

Torne-me à boca o verso castelhano,
A dizer o que sempre está dizendo
Desde o latim de Sêneca : o horrendo
Ditame de que o verme é soberano.

Torne a cantar a palidez da cinza,
Os fastígios da morte e a vitória
Da rainha retórica que pisa
Os estandartes ocos da vanglória.

Não assim. O meu barro agradecido
Eu não o vou negar como um covarde.
Sei que não há uma coisa : é o olvido.

Sei que na eternidade dura e arde
O muito e o melhor por mim perdido :
Esta frágua, esta lua e esta tarde.



BORGES, Jorge Luis. "Ewigkeit". In: CAMPOS, Augusto de. Quase Borges. 20 poemas e uma entrevista. São Paulo: Terracota, 2012.

18.11.14

Entrevista sobre "O que é poesia?"




A propósito da aula-show "O que é poesia?", que será apresentada pela última vez amanhã, 19/11, no Oi Futuro de Ipanema, dei uma breve entrevista ao Luiz Fernando Vianna. Ela se encontra publicada no Blog do IMS, aqui: http://www.blogdoims.com.br/ims/a-poesia-no-palco-quatro-perguntas-para-antonio-cicero.

16.11.14

Projeto Turista Aprendiz




Na próxima terça-feira, 18/11, às 15h, o poeta Alex Varella e eu estaremos na Biblioteca Parque Estadual (Av. Presidente Vargas, 1261, Centro, Rio de Janeiro) falando sobre poesia, lendo poemas e batendo papo com alunos do Projeto – produzido pela Praga Conexões – Turista Aprendiz.

Antonio Cicero: palestra-show "O que é poesia?"




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14.11.14

Friedrich Nietzsche: a vantagem do politeísmo sobre o monoteísmo




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[...]
No politeísmo estava prefigurada a liberdade humana e variedade de pensamento: a força de criar para si olhos novos e seus, sempre novos e cada vez mais seus; de modo que somente para o homem, entre todos os animais, não existem horizontes e perspectivas eternas.


NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Trad., notas e posfácio de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.