1.9.15

Arnaldo Antunes: "nada"








nada
com um vidro na frente
já é alguma coisa


nada
com um vento batendo
já é alguma coisa


nada
com o tempo passando
já é alguma coisa


mas
não é nada









ANTUNES, Arnaldo. "nada". In:_____. agora aqui ninguém precisa de si. São Paulo: Companhia das Letras, 2015

30.8.15

José Almino: "Poema"



Poema

I

Assombrosa é a nitidez do dia
Indiferente ao espanto da morte.

A reunião penitente  dos amigos
E a timidez dos afetos
Pastoreiam a ausência horrível
Nas coisas inertes.

II

O que fica para amanhã
É (quase sempre) o mesmo de hoje.
Como um sujeito oculto,
Guia
E nos exaure aos poucos.

Pouco a pouco.




ALMINO, José. "Poema". Inédito.

29.8.15

Três franceses e uma alemã

Clarisse Fukelman e Gustavo Chataignier são os curadores da seguinte homenagem aos pensadores Gilles Deleuze, Hannah Arendt, Jean-Paul Sartre e Roland Barthes:


Clique na imagem, para ampliá-la:


































Encontram-se notícias e trechos das obras dos homenageados na seguinte página do Face:




28.8.15

Rogério Batalha: "a vida"





a vida

você
precisa
inventar

o

resto
deixa
que
o
sol
FECUNDA




BATALHA, Rogério. "a vida". In:_____. Exercício de nuvens. Rio de Janeiro: TextoTerritório, 2015.

26.8.15

Augusto de Campos: "desumano"





Clique na imagem, para ampliar:



CAMPOS, Augusto de. "desumano" (2004). In:_____. Outro. São Paulo: Perspectiva, 2015.

25.8.15

Stéphane Mallarmé: "Brise marine" / "Brisa marinha": trad. Guilherme de Almeida




Brisa marinha

A carne é triste, e eu li todos os livros, todos.
Fugir! Além! Eu sei que há pássaros já doidos
Por se ver entre os céus e a espuma do alto-mar!
Nada, nem os jardins refletidos no olhar,
Retém meu coração que já no mar se aninha,
Nem, ó noites, a luz da lâmpada sozinha
Sobre o papel vazio, intangível de brilho,
E nem a mulher moça amamentando o filho.
Hei de partir! Vapor de mastros oscilantes,

Ergue a âncora para regiões extravagantes!
Um Tédio desolado, entre anseios intensos,
Ainda acredita no supremo adeus dos lenços!
E esse mastros, talvez, cheios de maus presságios,
São dos que um vento faz vagar sobre os naufrágios
Sem ilhas férteis e sem mastros de veleiros…
Mas, ó minha alma, ouve a canção dos marinheiros!



Brise marine

La chair est triste, hélas ! et j'ai lu tous les livres.
Fuir ! là-bas fuir! Je sens que des oiseaux sont ivres
D'être parmi l'écume inconnue et les cieux !
Rien, ni les vieux jardins reflétés par les yeux
Ne retiendra ce coeur qui dans la mer se trempe
Ô nuits ! ni la clarté déserte de ma lampe
Sur le vide papier que la blancheur défend
Et ni la jeune femme allaitant son enfant.
Je partirai ! Steamer balançant ta mâture,

Lève l'ancre pour une exotique nature !
Un Ennui, désolé par les cruels espoirs,
Croit encore à l'adieu suprême des mouchoirs !
Et, peut-être, les mâts, invitant les orages,
Sont-ils de ceux qu'un vent penche sur les naufrages
Perdus, sans mâts, sans mâts, ni fertiles îlots ...
Mais, ô mon coeur, entends le chant des matelots !



MALLARMÉ, Stéphane. "Brise marine". Trad. de Guilherne de Almeida. In: ALMEIDA, Guilherme (org.). Poetas de França. São Paulo: Babel, s.d.


24.8.15

O hino dos poETs




Meu querido amigo, o admirável poeta Ricardo Silvestrin, enviou-me o link para o clip, no You Tube, em que o grupo "os poETs", de que ele faz parte, canta o seu hino. Vejam:


Clique, para ouvir: